By Salgado on 10th novembro

CEVIU-profAs particularidades dos ambientes virtuais de trabalho requerem um novo conjunto de habilidades do profissional de TI moderno

Pode-se dizer que estamos passando por um momento pivotal na história das relações humanas. Pela primeira vez em nosso processo evolutivo, boa parte das interações entre as pessoas têm-se dado não mais face a face, mas por intermédio de meios de comunicação eletrônicos. Os impactos dessa mudança são sentidos não só no cotidiano das pessoas, mas, principalmente, também nos ambientes de trabalho, onde mais e mais equipes deixam de ser colocalizadas e passam a ser virtuais, com seus membros espalhados por diversas regiões geográficas, fusos horários e culturas. As implicações dessa mudança afetam tanto o indivíduo como as organizações, os quais precisam desenvolver novas habilidades para gerenciar os desafios advindos desse novo contexto.

As empresas do setor de Tecnologia da Informação, de forma geral, podem ser consideradas pioneiras na utilização intensiva de equipes virtuais, pelo fato de disporem dos meios e experiências necessários para suportar esse tipo de arranjo organizacional, isto é, a vanguarda na utilização de tecnologias da comunicação e interação multinacional. Esse modelo de equipe é utilizado tanto em atividades voltadas a projetos, tais como o desenvolvimento distribuído de software; como também, mais recentemente, em atividades operacionais, tais como o gerenciamento de infraestrutura de TI. Contudo, a experiência prática tem demonstrado que tais iniciativas nem sempre são bem-sucedidas, contribuindo para uma visão negativista a respeito da utilização de equipes virtuais de trabalho.

Frequentemente, especialistas citam a distribuição da equipe virtual, ou seja, a dispersão geográfica, cultural e temporal dos seus membros como o principal desafio para o bom funcionamento dessas equipes. Isso se dá em virtude de a distribuição da equipe estar associada à maior dificuldade de comunicação entre seus membros, estabelecimento de relacionamentos sociais e coordenação de esforços individuais.

Uma pesquisa recente realizada com profissionais de prestação de serviços de TI de diversos países demonstrou que, embora os desafios oriundos da distribuição da equipe possam se fazer presentes no cotidiano das equipes virtuais, competências individuais específicas de seus membros podem reduzir ou até anular o efeito negativo da distribuição da equipe. Esse conjunto de competências envolve basicamente três tipos de habilidades: emocionais, técnicas e sociais.

As habilidades emocionais referem-se às crenças próprias dos indivíduos sobre suas habilidades, em contextos virtuais, no uso de ferramentas de TI e execução de tarefas colaborativas. Essa habilidade tende a motivar o indivíduo a procurar múltiplos mecanismos para suplantar eventuais dificuldades e persistir através de várias tentativas até o estabelecimento de comunicação eficaz utilizando tecnologia computacional. Além disso, essa habilidade permite ao indivíduo se sentir confortável em lidar com o desenvolvimento de trabalho sem contato face a face com outras partes envolvidas.

As habilidades técnicas estão relacionadas com o uso de mídias virtuais, ou seja, com a capacidade dos indivíduos em utilizar e explorar as tecnologias de comunicação e da informação fazendo uso de todo o seu potencial no intuito de facilitar a comunicação. Trata-se de uma habilidade que vai além do simples conhecimento e utilização dos meios de comunicação eletrônicos e está mais relacionada ao entendimento do seu potencial para facilitar atividades colaborativas em ambientes virtuais. Tal capacidade torna-se fundamental para complementar a falta de riqueza de detalhes da informação comunicada sem contato face a face.

Por fim, as habilidades sociais envolvem as capacidades dos indivíduos em construir relacionamentos com outras pessoas em contextos virtuais. Dadas as limitações tecnológicas das mídias virtuais em facilitar as interações sociais, essa habilidade representa um elemento importante para aprimorar a coesão e o entendimento comum entre as pessoas, elementos que, por sua vez, facilitam a comunicação em contextos virtuais.

Ainda de acordo com alguns pesquisadores, essas três habilidades podem ser desenvolvidas pelas pessoas ao longo do tempo. Dado que o trabalho em contexto virtual é um fenômeno emergente e as pessoas ainda estão se adaptando a ele, um processo-chave para o desenvolvimento dessas habilidades se dá através das experiências acumuladas dos indivíduos em contextos virtuais, tanto no âmbito profissional, como fora dele, uma vez que as mesmas tecnologias disponíveis no ambiente de trabalho, frequentemente também fazem parte do nosso cotidiano fora dele.

Essas descobertas recentes tendem a auxiliar líderes e gestores de equipes virtuais com um melhor entendimento sobre o funcionamento dessas equipes, ajudando a desmistificar a aura negativa e receios na utilização de equipes virtuais. Por outro lado, também auxiliam os profissionais de TI a buscar os conhecimentos e habilidades adequados para atuar de forma eficaz e eficiente nesse novo contexto de trabalho. E você, já está preparado?

Por Hugo Martinelli Watanuki e Renato de Oliveira Moraes

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