By Rui-natal on 15th maio

Prezados leitores, fui abordado por um amigo um dia desses com a “história” de que as pessoas de uma maneira geral estão escrevendo muito mal. E fiquei triste ao constatar que as baterias dos ataques dele se voltavam principalmente para os jovens. A alegação dele era que, por um lado os softwares de edição de textos corrigiam as palavras e assim os jovens nem se davam conta de se haviam escrito de forma correta ou não. Por outro lado, ele alegava que esta convenção utilizada sobre a forma abreviada deles se expressarem e de escreverem os vocábulos nas conversações pelas muitas mídias sociais também os levava a começar a perder a noção da forma exata, correta e completa de escrever as palavras, quase que criando um dialeto adicional específico.

Pois é, esta questão é delicada, e não quero e nem posso colocar em discussão qualquer tipo de questionamento sobre a qualidade do ensino básico ou fundamental nas escolas. Nesse momento, não cabe este tipo de julgamento. Efetivamente estamos lidando com uma nova e brilhante geração e no meu entender abre-se um “gap” inicial no mínimo na forma das pessoas se expressarem, seja verbalmente, seja através da escrita.

Seguramente os recursos e avanços tecnológicos também devem e merecem receber parte considerável destes créditos (ou seriam débitos?). Trabalho junto a um grupo de jovens brilhantes; sim, brilhantes na arte de fazer, com uma vivacidade, uma perspicácia, inteligência e agilidade impressionantes. E que criatividade, que espírito questionador e inovador! Mas entendo que não tenho que esperar deles documentos bonitos, objetivos, bem escritos. Afinal, não é isso que apregoa um dos itens do “Manifesto Ágil”? – “Software que funciona é mais importante do que Documentação Abrangente”?. Então, estamos diante da normalidade, ou será que poderia usar “modernidade”? Afinal, cada vez mais salientamos a importância do trabalho em equipe; e os Métodos Ágeis de Desenvolvimento de Software e de Gerência de Projetos também defendem este ponto, e mexem de forma considerável na escala de valores, quebrando diversos paradigmas.

Já pensaram em voltar atrás o filme da vida uns 40 anos? Não fui (ou não fomos) criado(s) em meio a telefones celulares, jogos eletrônicos, computadores pessoais, teclados, botões, “mouses” e tantas outras maravilhas, artefatos e facilidades da tecnologia e da vida “moderna”. Aliás, acho que a palavra “moderna” já está ficando arcaica, caindo em desuso ou tornando-se sem um significado claro e único em nosso dicionário ou vocabulário, já que no eixo do tempo podemos quando muito observar as situações muito antigas, antigas, novas, mais novas, e assim por diante. A própria evolução dos recursos e das facilidades foi influindo na forma das pessoas – e aí devemos incluir principalmente os jovens – se comunicarem e reagirem. A leitura que faço é simples: questão de hábito, de cotidiano, e que, com o passar dos anos foi desviando a linha da cultura para uma trajetória que nós (ou eu) mais velhos, não esperávamos ou nem imaginávamos.

Lembro-me quando em minhas andanças por clientes para fins de levantamentos técnicos acabávamos nos deparando com aquelas informações impressionantes (para a época): fulano digita de 2 a 5 caracteres por segundo. Oh que espanto!!! Mas… acho que essa juventude de hoje, que no berçário já desenhava a mamadeira com o conteúdo, cor e sabor desejados no Corel ou no Paintbrush, e que efetivamente foi criada em meio a teclados, telas, toques, mouses e “joy-sticks” deve digitar cerca de uns 17 caracteres por segundo, e nem por isso eles se vangloriam disso, nem por isso se consideram geniais. Isso para eles é o cotidiano. Uai !!!!!!!
Concordo com aquele meu amigo no sentido de que a escrita ou a comunicação em geral está “meio” mudada sim, estranha aos nossos olhos ou bem diferente. Mas, por outro lado, o que percebemos é que os contatos verbais e por escrito acontecem sim, as coisas estão saindo, os resultados estão sendo obtidos, os objetivos estão sendo alcançados, as realizações estão por aí sob nossos olhares, assustados ou não, enfim, os negócios estão sendo celebrados.

Esse tal de mundo girou muito, mudou, está mudando, e seguirá mudando. De nada adianta espernearmos ou querermos dar as costas para esta realidade. Afinal no frigir dos ovos, temos novas gerações – geração Y, geração Z, millenium, FY (Forever Young – jovens para sempre – contracenando com novas gerações já em muitos segmentos. E eles se entendem e se fazem entender, seja lá qual seja a “interface” de comunicação e o “protocolo” utilizado.

Creio que a resposta a estas nossas dúvidas e inquietações passe pelo seguinte ponto: para aqueles que como eu não pertencem a esta geração – efetivamente estou na raia dos “baby boomers” – que compreende aqueles nascidos no período do pós guerra (1946) e vai até meados dos anos 60.

Aliás essa diferença de idade bem significativa para os tempos atuais faz com que, em muitas ocasiões, nosso “compilador” ache meio estranhos alguns “comandos, instruções ou declarações” que lemos, que ouvimos, com as quais nos deparamos, ou que temos contato, mas entendo que isso faz parte do mundo de hoje.

Para encerrar, e para intrigar a muitos e apimentar ainda mais nossas exposições, eu gostaria de deixar no ar a seguinte pergunta: Quem sabe não temos que aplicar um “patch” (correção) em nosso software para esclarecer e acalmar nossa agonia?

Abraço a todos e até a próxima.
Rui Natal

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