By Fernando-marcos on 19th abril

Um dos maiores problemas de comunicação, tanto a de massas como a interpessoal, é o de como o receptor, ou seja, o outro, ouve o que o emissor, ou seja, a pessoa falou.

Numa simples cena de telenovela, noticia de telejornal ou num simples papo ou discussão, observo que a mesma frase permite diferentes níveis de entendimento.

Na conversação dá-se o mesmo. Raras raríssimas, são as pessoas que procuram ouvir exatamente o que a outra está dizendo.

Diante desse quadro, observe que:

1- Em geral o receptor não ouve o que o outro fala: ele ouve o que o outro não está dizendo.

2- O receptor não ouve o que o outro fala: ele ouve o que quer ouvir.

3- O receptor não ouve o que o outro fala: ele ouve o que já escutara antes e coloca o que o outro está falando naquilo que se acostumou a ouvir.

4- O receptor não ouve o que o outro fala: Ele ouve o que imagina que o outro ia falar.

5- Numa discussão, em geral, os discutidores não ouvem o que o outro está falando. Eles ouvem quase só o que estão pensando para dizer em seguida.

6- O receptor não ouve o que o outro fala. Ele ouve o que gostaria de ouvir ou que o outro dissesse.

7- A pessoa não ouve o que a outra fala. Ela ouve o que está sentindo.

8- A pessoa não ouve o que a outra fala. Ela ouve o que já pensava a respeito daquilo que a outra está falando.

9- A pessoa não ouve o que a outra está falando. Ela retira da fala da outra apenas as partes que tenham a ver com ela e a emocionem, agradecem ou molestem.

10- A pessoa não ouve o que a outra está falando. Ouve o que confirme ou rejeite o seu próprio pensamento. Vale dizer, ela transforma o que a outra está falando em objeto de concordância ou discordância.

11- A pessoa não ouve o que a outra está falando: Ouve o que possa adaptar ao impulso de amor, raiva ou ódio que já sentia pela outra.

12- A pessoa não ouve o que a outra fala. Ouve a fala dela apenas aqueles pontos que possam fazer sentido para as ideias e pontos de vistas que, no momento, a estejam influenciando ou tocando mais diretamente.

Esses doze pontos mostram como é raro e difícil conversar. Como é raro e difícil se comunicar; O que há, em geral, ou são monólogos simultâneos trocados à guisa de conversa, ou são monólogos paralelos à guisa de diálogos. O próprio diálogo pode haver sem que, necessariamente haja comunicação. Pode haver até um conhecimento a dois, sem que necessariamente, haja comunicação. Esta só se dá quando ambos os pólos ouvem-se não, é claro, no sentido material de “escutar”, mas no sentido de procurar compreender, em sua extensão e profundidade, o que o outro esta dizendo.

Ouvir, portanto, é muito raro. É necessário limpar a mente de todos os ruídos e interferências do próprio pensamento durante.

Ouvir implica uma entrega ao outro, uma diluição nele. Daí a dificuldade de as pessoas inteligentes efetivamente ouvirem. A sua inteligência em funcionamento permanente, o seu habito de pensar, avaliar, julgar e analisar tudo interferem como um ruído na plena recepção daquilo que o outro está falando.

Não é so a inteligência a atrapalhar a plena audiência. Outros elementos perturbam o ato de ouvir. Um deles é o mecanismo de defesa. Há pessoas que de defendem de ouvir o que as outras estão dizendo, por verdadeiro pavor inconsciente de se perderem a si mesmas. Elas precisam “não ouvir” porque “não ouvindo” livram-se da ratificação dos próprios conceitos e valores, da aceitação de realidades diferentes das próprias, de verdades idem e assim por diante. Livrar-se do novo, que é saúde, mas apavora. Não ouvir é, pois, um sólido mecanismo de defesa.

Ouvir é um grande desafio de abertura interior; de impulso na direção do próxim, de comunhão com ele, de aceitação dele como é e como pensa. Ouvir é proeza. Ouvir é raridade. Ouvir é ato de sabedoria.

Depois que a pessoa aprende a ouvir ela passa a fazer descobertas incríveis escondidas ou patentes em tudo que os outros estão dizendo a propósito e falar. Para melhor entender o difícil facilitário verbo ouvir, temos um grande desafio de entender o que significa sinceridade e transparência, respeito, autoridade moral, empatia, confiança e ética.

A seguir faço um resumo dessas habilidades e valores, onde em cada um encontraremos a orientação que precisamos para lapidar o líder para a habilidade de “ouvir”.

Sinceridade e Transparência.

As duas são importantíssimas virtudes humanas. A sinceridade é a virtude de quem não mente em sua fala, de quem diz realmente o que pensa. A transparência é a virtude de não omitir em sua fala, de quem realmente diz o que pensa.

A única forma de se obter confiança é conquistá-la, e o primeiro requisito é ser você mesmo confiável. Uma forma fundamental de demonstrar ser digno de confiança é ser transparente e aberto, saber ouvir e alinhar ações com o discurso. Não é possível conquistar a confiança de alguém falando de um modo e agindo de outro, deve existir absoluta coerência entre o que se diz e o que se faz.

Quando os liderados percebem no líder alguém que compartilha decisões, que opta pelo bem verdadeiro, administra conflitos com sinceridade e transparência, é possível estabelecer um relacionamento estruturado na confiança, pois se ressalta a humanidade do líder e, as barreiras levantadas pelas dúvidas sobre o seu caráter, são quebradas (Marcelo Ulisses, 2013).

Respeito.

O Líder nato tem o poder de influenciar e ser influenciado, ele aceita sugestões e compartilha idéias com os seus liderados para gerar resultados que reforcem a coesão da Equipe e a disposição de seus integrantes. A vontade de servir, a humildade e a simplicidade constituem-se virtudes essenciais de um líder autêntico, que ajuda a formar novos Líderes melhores do que ele.

A comunicação entre o Líder e seus Liderados deve ter, acima de tudo, respeito com base no que é certo. O Líder deve ser sempre receptivo quando desafiado e confrontado pelo liderado, questionando-o na maneira e no momento certo, com o objetivo de confrontá-lo e desafiá-lo também.

É fundamental que sua equipe esteja ciente, que é merecedora de respeito na sua expressão máxima, seja quem for e faça o que fizer.

Autoridade moral.

Como ser moral entende-se que o homem é dotado de uma natureza com poderes que o capacita a agir de maneira certa ou errada. Esses poderes são o intelecto ou razão, o sentimento e a vontade. Em conexão com estas faculdades humanas está a atividade da consciência, que envolve todos os poderes, e sem a qual não pode haver nenhuma ação moral (STRONG, 2003, p. 64-65; THIESSEN, 1988, p. 158). Estes poderes ou faculdades humanas atuam da seguinte forma:

– O intelecto ou razão habilita o homem para discernir, avaliar entre o certo e o errado;
– A sensibilidade ou sentimento o inclina, o move para o certo ou o errado;
– A vontade livre concretiza, faz.

Stephey Covey, no Prefácio do livro Liderança Servidora de Robert Greenleaf, diz que a autoridade moral vem do uso do poder natural e da liberdade de escolha baseado em princípios. Quando as pessoas vivem de acordo com sua consciência, respondendo aos princípios universais de integridade, honestidade, respeito, e contribuição, seu comportamento ecoa nas almas de todos. As pessoas instintivamente sentem confiança nelas. Este é o princípio da autoridade moral.

Se uma cultura inteira estivesse imbuída deste tipo de autoridade moral, esta não precisaria de leis externas. As pessoas viveriam e seriam governadas pelas leis morais internas. Elas todas seguiriam um sistema comum de valores.

Autoridade moral é outra maneira de definir liderança servidora porque representa uma escolha recíproca entre líder e seguidor. Se o líder está centrado em princípios, ele desenvolverá autoridade moral. Se o seguidor está centrado em princípios, ele seguirá o líder. Nesse sentido, tanto líderes como seguidores, são seguidores. Por quê? Eles seguem a verdade. Eles seguem a lei natural. Eles seguem princípios. Seguem uma visão comum, consensual. Eles compartilham valores. Eles constroem confiança um no outro. A autoridade moral é mutuamente desenvolvida e compartilhada.

Empatia.

As pessoas precisam se sentir compreendidas. Precisamos entender o outro para adotarmos uma atitude positiva. A empatia é essa forma de participação efetiva que nos permite nos entender com os outros. Precisamos nos colocar no lugar do outro, ver as coisas desde o ponto de vista do outro.

A palavra empatia origina-se do termo grego empátheia, que significa entrar no sentimento. A primeira condição será, portanto, sermos receptivos aos outros e simultaneamente à nossa totalidade interior. A empatia nos ajudará a nos libertar dos nossos padrões rígidos e repetitivos. É preciso derrubar as barreiras que nos impedem fazer um contato mais direto e espontâneo com o outro sem nos confundirmos com ele.

Confiança

A confiança é o principal aliado do gestor, ou de qualquer líder, que permitirá a geração da sinergia necessária para alcançar o sucesso no relacionamento interpessoal com a equipe ou com os stakeholders, de qualquer projeto.

A pergunta difícil de responder é: como conseguimos criar um ambiente de confiança mutua?

Sabemos que, independente da metodologia utilizada na gestão de um projeto, construir um bom relacionamento com as pessoas envolvidas é de fundamental importância. Muito dependerá de nossa personalidade, de nosso autoconhecimento e, fundamentalmente, das habilidades desenvolvidas para lidar com os desafios que teremos com as pessoas envolvidas no projeto.

Ética

Ética é uma palavra de origem grega (éthos), que significa propriedade do caráter. Ser ético é agir dentro dos padrões convencionais, é proceder bem, é não prejudicar o próximo. Ser ético é cumprir os valores estabelecidos pela sociedade em que se vive.

Ter ética profissional significa que um profissional deve cumprir com todas as atividades de sua profissão, seguindo os princípios determinados pela sociedade e por seu grupo de trabalho.

Conclusões

Entender o difícil facilitário verbo ouvir, temos um grande desafio de entender o que significa sinceridade e transparência, respeito, autoridade moral, empatia, confiança e ética, são valores que constroem a confiança da gestão no líder. Portanto, analise profundamente as características de cada um, vejam quais a sua personalidade precisa melhorar ou desenvolver e pratique, pratique muito. Normalmente o que mais incomoda no próximo no processo de comunicação reflete às nossas falhas e limitações.

“Uma chave importante para o sucesso é saber “ouvir”. Uma chave importante para a autoconfiança é o preparo.” Artur Távola.

 

 

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