By Rui-natal on 15th março

Cada vez mais me surpreendo com notícias e dados estatísticos sobre a utilização de smartphones … (???)

“quanto tempo você passa sem olhar para seu celular ?”

“um terço dos americanos utiliza smartphone enquanto dirige”

Esta segunda nota pode ser comprovada no link: http://goo.gl/njhbF

Isso me remete às décadas de 60 e 70, antes da campanha anti-tabagismo em que as propagandas mostravam modelos que ao chegar em um ambiente, a primeira coisa que faziam era acender um cigarro; ou cenas que ao chegar desacompanhado em um bar ou em uma festa, apelavam para seu “companheiro inseparável”, o cigarro e com muita pose abriam o paletó impecavelmente cortado e pegavam seu maço de cigarros.

Será que atualmente diante da forte campanha anti-tabagismo os smartphones estariam aos poucos tomando o lugar do tabaco ?

Caros leitores, é exatamente isso que presencio, e observo a todo instante e em qualquer lugar… a pessoa entra no ônibus e, mais do que depressa volta-se para a telinha, e pronto, não observa mais nada ao seu redor. Está sendo criada e moldada uma geração – acho até nem é geração porque são pessoas de todas as idades – uma legião de pessoas que cada vez mais se voltam para dentro de si, de seus interesses, de sua concha, na base do cada um preocupado com seu cada um. E as preocupações se resolvem através das telinhas. Assim como as notícias boas e ruins usam o mesmo meio de comunicação.

Em alguma trilha de discussão de que participo já tive a oportunidade de comentar sobre uma cena que presenciei em um restaurante, em que a aniversariante recebeu um tablet de seu marido, noivo, namorado ou “ficante” – pois é, agora existe esta nova categoria de relacionamento (Tempos Modernos, não é mesmo Chaplin ?). A partir deste momento, os convidados para aquilo, que imaginavam deveria ser uma noite gostosa para todos, passaram a conversar entre si, pois a dondoca (meu Deus que termo antigo!) só tinha olhos para seu tablet, e curiosamente sua comida foi deixada de lado; afinal o que existe de mais importante no mundo, meus amigos, do que um tablet e a magia e a ansiedade pelos novos textos e imagens ?

Nas escolas, durante os intervalos, cada um vai para seu canto cutucar os tais dos botões e/ou teclados e arrastar o indicador para fazer o scan das últimas fotos.

E a coexistência em grupos perde muito com isso, uma pena. As pessoas estão deixando de ouvir a opinião dos outros, as trocas estão diminuindo. A comunicação verbal está escasseando e com isso os vocabulários…

Meu caro Steve Jobs, suas criações e invenções sem dúvida alguma introduziram uma nova ordem nas coisas, nas ações e na forma das pessoas tocarem o seu dia a dia. E neste momento basta citarmos a forma com que os smartphones e os tablets invadiram nossas vidas, quase que nos viciaram (seria só quase mesmo?), e passaram a ser os mimos inesquecíveis e os acessórios principais de quase todos.

Sem dúvida alguma, você, um grande visionário redefiniu a utilização de muitos gadgets e inverteu a escala de valores na cabeça das pessoas, mas esta inversão deve ter sido de uma ordem e intensidade que você seguramente jamais teria imaginado.

“Rest in Peace”.

E lembro-me quando comentavam lá pelos idos dos anos 70 (“jovem” também tem saudade) que um digitador digitava até 5 toques por segundo – coisa que para a época considerávamos um espanto !!! – espanto nada, a garotada de hoje em dia é capaz de digitar 37 toques por segundo e achar tudo isso muito natural…

Mas todos devemos estar atentos e vigilantes porque as reações e repercussões até de falta de educação, de desatenção, de inversão de valores vão aflorando e provocando descontentamentos, desilusões, conflitos.

Sou um Palestrante, conduzo cursos e seminários e observo SEMPRE um percentual considerável de pessoas presentes que com alguma freqüência lançam ou arriscam olhares ansiosos e tentadores para as famosas telinhas. E posso afirmar, sem falsa modéstia, que os temas abordados nestas palestras e seminários são bem interessantes, sabiam ? E conduzidos e abordados segundo as técnicas recomendadas de apresentação.

Mas esta é uma batalha ou um “vício” que sempre vence.
Como equacionar e tentar resolver esta questão ?
Eu não sei, alguém se apresenta ?
Um abraço.
Rui Natal

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